Trabalho, V4 Company · 2023

Análise Pareto 80-20 de Leads

O time decidia olhando só para o ROAS. A pergunta que faltava era mais simples: existe relação entre a hora em que o lead entra e a chance de ele comprar? Existia, e ela valia 17% do custo por lead.

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A dor

Saber quando mexer numa campanha é um dos problemas mais antigos do marketing digital. Aumentar verba, testar público novo, pausar o que não anda. Quase todo time resolve isso olhando para uma métrica só, o ROAS.

Não é errado, é insuficiente. O ROAS diz que a campanha rendeu, não diz por quê. E existe um caso que ele nunca revela sozinho: o público está certo, a landing page está boa, o criativo está certo, e você está anunciando na hora errada.

Existe algum padrão entre o horário de entrada dos leads e as vendas concretas?

Foi a pergunta que eu levei para a mesa. Ela não fala de verba nem de criativo, fala de comportamento: a que horas costuma aparecer quem compra.

O contexto

A análise nasceu dentro de uma conta real, com verba real rodando todo dia.

Verba mensal em mídia

R$ 60 mil

Google Ads e Meta Ads somados, todo mês.

Segmento

Pós-graduação online

Cursos para servidores públicos, com uma série de produtos e uma campanha por produto.

Nessa escala, uma faixa de horário que não converte não aparece sozinha no relatório. Ela fica diluída no total, que continua positivo. Só aparece se alguém for procurar.

A origem dos dados

Nada de pipeline aqui. A base era um CSV exportado direto do CRM do cliente, com os dados de venda e os campos gerais de cada lead. Planilha e Power BI dão conta de uma pergunta bem feita.

Da planilha inteira, duas colunas sustentam a análise. O resto é contexto.

Os campos do CSV e o papel de cada um na análise
Campo O que é Por que importa
Data e hora de entrada O momento em que o lead foi criado no CRM É o horário que a campanha escolhe comprar
Data e hora de ganho O momento em que a venda foi registrada Marca quais leads viraram receita
Demais campos Origem, produto e dados gerais do lead Contexto, não entram no corte

A ideia central

Se 80% do resultado costuma vir de 20% das causas, qual é a fatia do dia que responde pela maior parte das vendas?

O método é o Pareto aplicado a uma dimensão que quase ninguém corta: a hora do dia. Cada venda foi atribuída ao horário em que o lead correspondente entrou, e não ao horário em que a venda fechou. A pergunta não é quando se vende, é quando entra quem compra.

O corte apareceu rápido. Cerca de 80% das vendas vinham de leads que entraram entre 08h e 17h. Fora dessa janela o volume de leads continuava chegando, e a conversão caía.

A janela de horário que concentra as vendas Uma barra representando as 24 horas do dia. O trecho entre 08h e 17h aparece preenchido: é dele que veio cerca de 80% das vendas. cerca de 80% das vendas 00h 08h 17h 24h
Nove horas do dia respondiam por quatro quintos da receita. As outras quinze continuavam comprando clique.

Dito de outro jeito: havia campanha rodando o dia inteiro, e uma parte do dia comprava anúncio sem devolver venda.

Resultado

As campanhas foram reprogramadas para concentrar entrega na janela que convertia.

Custo por lead

-17%

O mesmo lead passou a custar menos.

Investimento em mídia

-13%

Verba que saiu das horas que não vendiam.

Faturamento bruto

estável

O corte não veio com perda de receita.

Menos custo por lead, menos verba, mesma receita. A leitura é direta: o ROI subiu, e não por negociação de preço. Subiu porque paramos de comprar clique em horário que não vendia.

Ao fim do projeto a análise virou rotina. Instauramos uma auditoria geral para rodar o mesmo corte em todos os projetos da carteira, e o time passou a olhar para o comportamento do cliente, não só para o retorno da campanha.

Meus aprendizados

Esse projeto me deu uma visão prática do trabalho do time de marketing. Entender como e por que eles tomam certas decisões mudou a forma como eu entrego análise.

Eu sou analista de dados. A minha função não é ter razão no gráfico, é ajudar quem está do outro lado a decidir melhor no dia a dia. Para isso eu preciso conhecer a realidade de quem trabalha comigo, e não só a tabela.

Quem eu quero alcançar?

Esse foi o aprendizado que passou do projeto. Fala-se muito de persona no marketing, e quase nada de como a persona usa a rede social onde o anúncio vai rodar.

Por que meu público é assim? Como ele se comporta? Como ele consome? Quem ele acompanha? São perguntas simples, e raramente estão na mesa na hora de decidir onde colocar verba.

Pega o exemplo mais direto que eu conheço. Por que não adianta anunciar para dentista às 15h?

O dentista está atendendo paciente. Não está mexendo no celular.

O dia de um dentista Uma linha do tempo de 24 horas. Das 09h às 19h o dentista está em consultas, almoço e laboratório. Só entre 19h e 22h ele tem o celular na mão. Consultas da manhã Almoço Consultas da tarde Laboratório Celular na mão 00h 03h 06h 09h 12h 15h 18h 21h 24h O dia de um dentista Uma linha do tempo de 24 horas. Das 09h às 19h o dentista está em consultas, almoço e laboratório. Só entre 19h e 22h ele tem o celular na mão. Consultas da manhã Almoço Consultas da tarde Laboratório Celular na mão 00h 03h 06h 09h 12h 15h 18h 21h 24h
Rode o dia e veja o que sobra. Dez horas ocupadas, e uma única faixa em que a pessoa está de fato disponível para ver um anúncio.
  1. Das 09h às 12h o dentista está em consultas da manhã.
  2. Das 12h às 14h ele almoça.
  3. Das 14h às 17h volta às consultas, agora da tarde.
  4. Das 17h às 19h fica no laboratório e nos retornos do dia.
  5. Só entre 19h e 22h ele tem o celular na mão, e é a única faixa em que um anúncio tem chance de ser visto.

Quando isso fica claro, a pergunta muda de lugar. Não é mais quanto investir, é quando e onde. Seu cliente usa o celular 24 horas por dia? Se não usa, por que a sua campanha roda 24 horas por dia?

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